Regressão de comportamento no adolescente e adulto autista

Foto por Daria Shevtsova em Pexels.com

Eu postei recentemente sobre o chamado autismo regressivo que acontece na primeira infância e alguns pais começaram a relatar que os filhos autistas depois de adolescentes ou adultos apresentaram algum tipo de regressão. Exemplo o autista que era considerado “leve”, passou a ser considerado “moderado” após uma idade.

Isso não é o autismo regressivo. Essas perdas de habilidades depois de adolescentes ou adultos podem acontecer devido a diversos fatores, alguns coexistem com o autismo.

Não faz muito tempo de eu publicar um post sobre a “piora” do autismo na vida adulta. Quem se interessar pode dar uma lida, mas é basicamente o que eu vou escrever agora. Também tem um vídeo no Canal Vitamina Maluca que a autista Vanessa trata desse tema.

Enquanto crianças, nossas demandas sociais, exigências são menores. Conforme crescemos, elas aumentam e nos sobrecarregam cada vez mais, afinal o que é esperado de um adulto vai muito além do esperado de uma criança. Então um adulto ou adolescente nível 1 de suporte na infância, pode parecer que regride com o passar do tempo devido a dificuldade que está tendo em se adaptar com a nova fase da vida.

Outro motivo são as condições coexistentes que desenvolvemos. Transtornos de ansiedade, depressão, epilepsia, TOC, dentre outras coisas afetam de forma muito significativa a nossa vida.

O autismo, a depressão, ansiedade, TDAH, vem com algo que se chama disfunção executiva (também já publiquei sobre isso). Essa disfunção nos atrapalha nas tomadas de decisões, na realização do passo a passo de tarefas básicas, priorização, alternar entre uma atividade e outra, controle de impulsos, dentre muitas outras coisas.

As vezes, devido a dificuldade com as funções executivas, esquecemos como fazer as coisas que já sabíamos e fazíamos com frequência. 
Por exemplo, hoje eu me esqueci de como colocar plastico filme no prato com a carne do almoço que eu como a tarde. Eu já fiz isso muitas vezes, mas hoje eu simplesmente esqueci de como fazer.

Outro fator é que as vezes, por falta de estímulo, de terapias, de auxílio com a autonomia devido ao pensamento de que “autismo leve” é autismo fácil e como eu já ouvi, dá para “se virar sozinho”, nós acabamos regredindo mesmo.

É muito importante observar a pessoa com que você convive porque cada caso é um caso.

Publicado por carolsouzaautistando

Olá. Meu nome é Caroline, tenho 25 anos e sou autista. Terminei a graduação em pedagogia em outubro desse ano e pretendo fazer especializações em Psicopedagogia e Educação Especial. Adoro escrever sobre autismo, assistir a série The Big Bang Theory, pesquisar sobre dinossauros e desenhar. Tive diagnóstico tardio, as 23 anos, por isso sei como é difícil enfrentar o descaso e falta de capacitação de diversos profissionais da saúde durante uma vida toda. Em um mundo onde há um imenso número de autistas e poucas informações corretas acerca do assunto, se torna extremamente importante que cada um faça sua parte para mudar essa realidade. Atualmente, muitos autistas tem dado sua contribuição se expressando de várias maneiras. Espero profundamente que todos sejamos ouvidos e aceitos. O propósito desse blog é justamente esse, contribuir para a compreensão do espectro, compartilhando informações e vivências. Espero que os conteúdos auxiliem de alguma forma na vida de cada um.

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