Autismo e agressividade

Momentos de autoagressão ou agressividade em geral, pode ser comum em autistas. Vários pais me perguntam sobre isso.

Se dá devido a vários fatores que variam entre cada individuo, mas normalmente as explosões são por causa da dificuldade com o controle inibitório. Muitos de nós não conseguimos lidar com as emoções, com a frustação, a mistura de sentimentos e “controlar” como os típicos fazem. Isso pode resultar em comportamentos gressivos com os outros ou conosco. Eu tenho crises de agressividade quando me sobrecarrego com estímulos internos ou externos.

Outro fator são as alterações sensoriais. Por exemplo, no meu caso, desde pequena me belisco, me arranho, machuco minhas mãos, ou outras partes do corpo quando estou sobrecarregada, ou até mesmo para prestar atenção. Isso mesmo, prestar atenção.

Notei recentemente no processo de me conhecer, que sou hipossensível na parte tátil, isso me faz buscar por estímulos.
Quando eu estava assistindo as aulas da faculdade, eu mordia os dedos, ou eu me beliscava. Parecia que aquele estímulo me ajudava a prestar atenção.
Quando estou assistindo filme posso fazer o mesmo, ou machucar minha testa. É algo que quando noto, já fiz. As vezes nem noto, minha mãe ou tia que me avisam.

Tenho um machucado recente no meu queixo que não sei bem como aconteceu. Eu estava usando a internet e quando olhei, tinha sangue em uma das minhas unhas. Fui olhar no espelho e havia um tipo de buraco no meu queixo da pele que eu fui arranhando. Não sei como eu fiz isso, mas eu fiz e não senti a dor. Agora estou tentando deixar cicatrizar.

Eu gosto muito de passar as unhas na minha pele, de sentir meu corpo porque há momentos que parece que não sinto e é uma sensação horrível. A questão, é que essa necessidade de estímulo pode causar ferimentos e isso não é bom. Eu tenho consciência de que preciso substituir, mas nem sempre é fácil por em prática.

Eu sempre saio com uma cobrinha de silicone que enrolo entre os meus dedos ou balanço bem forte. A pressão que ela faz quando a enrolo nas minhas mãos ou quando bato com ela na minha pele, substitui na maioria das vezes as mordidas, arranhões ou beliscões.

Eu a levava na faculdade e ajudou bastante. Porém, infelizmente, apesar de ajudar, não soluciona por completo porque ainda acontece de quando noto já me machuquei, como foi com o queixo.

No caso de autistas não verbais, autoagressão ou agressão a outros pode acontecer por esses dois motivos acima e com o acréscimo de uma maior dificuldade na comunicação. Autistas que não oralizam podem achar a solução para serem atendidos quando se mordem, ou quando batem com a cabeça. Por isso o uso da comunicação alternativa é fundamental.
PECS, língua de sinais, aplicativos de computador, de celular, qualquer coisa que de oportunidade do indivíduo se expressar de outra forma.

Se for sensorial, stim toys ou qualquer objeto que tenha um objetivo. Como diz minha mãe, algo que ocupe as mãos e que de preferência, forneça um estímulo aproximado do que ele recebe quando se agride. Exemplo, se bate a cabeça porque gosta do impacto, da pressão, pode substituir por faixas de cabelo. Eu usava o tempo todo quando criança. Uma mãe testou e deu certo com a bebê dela que bate na cabeça.

Outra alternativa são os abafadores, aqueles externos, de obra. Além de abafar o som, ainda fazem pressão. Gorros, toucas, bonés também podem ajudar em alguns casos. Em crises, apertar com as mãos a cabeça do autista se ele deixar. No meu caso, minha tia faz e ajuda.

Se gosta de se arranhar, se beliscar, buchas naturais podem ajudar ou um Stim toy próprio para isso.
Uma colega autista diz que a mãe deita em cima dela quando ela esta sobrecarregada. Eu nunca tentei isso, mas gostaria muito porque também adoro pressão. Me acalma.

Se é o caso de mordida, pode ser por estímulo na parte oral, nesse caso, mordedores sensoriais são bons. Eu tenho um e as vezes uso.

O fato é que nenhum de nós faz por fazer. Cada um tem seu motivo. Só é preciso perceber qual o motivo do autista que você convive para poder ajudar. Em todo caso, vai testando várias coisas.

Publicado por carolsouzaautistando

Olá. Meu nome é Caroline, tenho 25 anos e sou autista. Terminei a graduação em pedagogia em outubro desse ano e pretendo fazer especializações em Psicopedagogia e Educação Especial. Adoro escrever sobre autismo, assistir a série The Big Bang Theory, pesquisar sobre dinossauros e desenhar. Tive diagnóstico tardio, as 23 anos, por isso sei como é difícil enfrentar o descaso e falta de capacitação de diversos profissionais da saúde durante uma vida toda. Em um mundo onde há um imenso número de autistas e poucas informações corretas acerca do assunto, se torna extremamente importante que cada um faça sua parte para mudar essa realidade. Atualmente, muitos autistas tem dado sua contribuição se expressando de várias maneiras. Espero profundamente que todos sejamos ouvidos e aceitos. O propósito desse blog é justamente esse, contribuir para a compreensão do espectro, compartilhando informações e vivências. Espero que os conteúdos auxiliem de alguma forma na vida de cada um.

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