Sinais de autismo em adultos

Os critérios para diagnóstico de autismo em adultos são os mesmos das crianças. De acordo com o DSM V:

✅ Dificuldade na comunicação social
✅ Comportamentos repetitivos e alterações sensoriais (acontecendo de, em raros casos, não haver transtorno do processamento sensorial)

Esses variam de intensidade de acordo com cada indivíduo e devem estar presentes em algum grau desde a primeira infância.

✅ Dificuldade na comunicação social.

Podem ter:
Inclui desde os autistas que não verbalizam, até os que verbalizam muito bem, com vocabulário rico, mas que tem dificuldade em reconhecer expressões faciais, olhar nos olhos, entender sarcasmo, ironia, duplo sentido, figuras de linguagem, metáforas, piadas, indiretas, linguagem corporal ou qualquer tipo de informação não verbal ou com mais de um sentido na interpretação.
Podem não saber identificar e ou expressar seus sentimentos e emoções da mesma maneira que os não autistas. Tendo muitas vezes reações consideradas “desproporcionais” pela dificuldade em lidar com o que sentem. Também acontece de terem dificuldade de compreender o comportamento do outro e o que as pessoas esperam de si.
Dificuldade em iniciar ou manter uma conversa que não seja referente aos assuntos de interesse da pessoa (normalmente são poucos assuntos comparados a não autistas) e sinceridade em demasia.

Na parte de interação social: Desde os que falam pouco, não tem muito interesse em fazer amizades, quando fazem podem ter dificuldade em mantê-las, não gostam de sair de casa, estar junto as pessoas, são introvertidos, considerados tímidos, até os extrovertidos. Pessoas que falam muito, tentam fazer amizades, mas não conseguem porque abordam os outros de forma inadequada, falam sobre assuntos fora de contexto, se aproximam de forma considerada “estranha”, gostam de estar no meio de outros. Pessoas que muitos chamam de inconvenientes.

✅ Comportamentos repetitivos.

Podem ter:
Dificuldade com mudança de rotina, rituais, interesse muito forte em determinados assuntos (hiperfoco), gosto por repetições de palavras, frases ou sons (ecolalia), movimentos repetitivos, preferência por comer as mesmas comidas, usar as mesmas roupas, assistir os mesmos programas de TV, etc.

✅ Alterações sensoriais.

Podem ter:

Sensibilidade a sons, cores, cheiros, toques, seletividade alimentar, texturas de roupas ou falta de sensibilidade a esses, gostando de experimentar sensações como sons altos, músicas, texturas de alimentos, gostar de pressão no corpo, etc.

Referente a crises podem ter:
Em decorrência de exposição a muitos estímulos ou a dificuldade em lidar com seus sentimentos.

Crises explosivas de choro, grito, atitudes agressivas direcionadas a si ou aos outros. Ou crises implosivas. Sensação de cansaço extremo, sensação de que o corpo não responde, dificuldade para falar, para se locomover, aparente ausência, sono incontrolável, necessidade de se isolar, deitar e dormir.

✓A pessoa não precisa ter todos esses sinais, mas sinais significativos na área da comunicação social e comportamentos repetitivos que afetem sua vida diária e que estejam presentes desde a primeira infância.

✅ Dificuldades no dia a dia.

Muitos adultos no espectro podem enfrentar dificuldade em entrar ou permanecer em um curso superior, em um emprego, em relacionamentos afetivos. Dificuldade em manter a higiene pessoal, da casa, em frequentar ambientes lotados, se organizar, realizar algumas tarefas e aparentar ser alguém desleixado e preguiçoso.

✅ Pontos que devem se levar em conta na avaliação de autistas adultos:

Como se trata de adultos, a análise precisa ser diferente, visto que a experiência de vida de um adulto difere de uma criança. Um adulto tem uma “bagagem”, número de experiências de vida muito maior do que os pequenos. O amadurecimento nos trás ganho de habilidades que não tínhamos e que consequentemente uma criança não tem. Isso deve se considerar na avaliação.

Outros fatores:

✓Histórico familiar: Relação família e paciente;
✓Vida atual: Se é casado, se namora, se trabalha, estuda, idade;
✓Infância, adolescência;
✓Mulheres.

Acontece de muitos médicos ao receberem um possível autista adulto no consultório se atentem somente ao que estão vendo.
Se olha nos olhos, muitas vezes o médico não chega nem a perguntar nada da vida da pessoa, já descarta a hipótese. Se sorri, é simpático, a mesma coisa. Se é casado, trabalha, estuda ou tem filhos, descartado porque autistas “não são capazes disso”. Se não apresenta movimentos repetitivos na frente dele, não pode ser autista.

✓Histórico familiar: Não raras as vezes da família reprimir o comportamento da criança por achar entranho, errado, feio. Crianças que apanharam por se balançar, por repetir muito as palavras ou assuntos, por não olhar nos olhos ou por ser diferente.
Uma criança que recebe essa informação de que é errado se comportar assim crescerá um adulto que reprime seus comportamentos autistícos. Então, obviamente que na frente de outras pessoas ela não se balançará, se forçará a olhar nos olhos e a se comportar da melhor forma “neurotípica” possível.
Muitos autistas dizem que só se sentem seguros para fazer o que precisam, serem eles mesmos, em casa, dentro do quarto fechado.

✓Vida atual: Pessoas mais velhas, 30, mais de 40 anos tem um conhecimento natural de vida maior, sendo assim, não se pode esperar que respondam o mesmo que uma criança autista responderia ou que se comportem como tal.
Os casados, com filhos, que trabalham, estudam também adquiriram uma experiência maior e podem saber lidar com seus comportamentos. Muitas vezes desenvolvem de forma sofrida, habilidades de independência, autonomia, aprendem a entender algumas piadas e significado de metáforas por exemplo. Fazem isso observando as pessoas, já que não tiveram diagnóstico nem suporte.

✓Antes de tirar conclusões precipitadas diante do adulto que está ali, procurar saber como foi sua infância e adolescência.

✓Mulheres: Há diversos estudos que comprovam que o autismo no sexo feminino pode se manifestar de forma diferente do masculino. Na maioria da vezes de forma mais sutil.
Mulheres autistas tendem a ser mais sociáveis que os homens, com hiperfoco mais comum, movimentos repetitivos mais discretos, tem maior habilidade de copiar comportamentos e criar uma “máscara” social para serem aceitos pelas pessoas. Fingir comportamentos que não lhes é natural para não serem rejeitadas. Com isso podem desenvolver depressão, ansiedade, etc, em decorrência da pressão constante.

✅ Profissionais indicados:

Neurologista ou psiquiatra de preferência especialista em autismo. Que tenha diagnosticados outros autistas adultos se possível.

O diagnóstico de TEA em adultos precisa ser bem avaliado e não descartado em uma consulta de 15 min porque o indivíduo fez algo que o estereótipo impede.
O profissional precisa levar em conta todo o histórico de vida do indivíduo, todos os detalhes para tirar uma conclusão e isso não se faz em 15 min porque a pessoa olha nos olhos, ou porque é casada.

É necessário conhecer o autismo para entender.

✓Referências:

https://revistacrescer.globo.com/Voce-precisa-saber/noticia/2019/05/autismo-pesquisadores-defendem-necessidade-de-metodos-diferentes-para-diagnosticar-meninas.html?fbclid=IwAR3uIBwgQTmrX-fCn2noxWwtWiWggDqtBa6Yg7kXQhGZk7Vivjz9J5Hc1LE

DSM V

Publicado por carolsouzaautistando

Olá. Meu nome é Caroline, tenho 25 anos e sou autista. Terminei a graduação em pedagogia em outubro desse ano e pretendo fazer especializações em Psicopedagogia e Educação Especial. Adoro escrever sobre autismo, assistir a série The Big Bang Theory, pesquisar sobre dinossauros e desenhar. Tive diagnóstico tardio, as 23 anos, por isso sei como é difícil enfrentar o descaso e falta de capacitação de diversos profissionais da saúde durante uma vida toda. Em um mundo onde há um imenso número de autistas e poucas informações corretas acerca do assunto, se torna extremamente importante que cada um faça sua parte para mudar essa realidade. Atualmente, muitos autistas tem dado sua contribuição se expressando de várias maneiras. Espero profundamente que todos sejamos ouvidos e aceitos. O propósito desse blog é justamente esse, contribuir para a compreensão do espectro, compartilhando informações e vivências. Espero que os conteúdos auxiliem de alguma forma na vida de cada um.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: